Cavaleiro, jardineiro e brigadista, Peixe é parte do Retiro

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O Peixe, ou Antônio, é uma das pessoas que mais manteve o vínculo ao longo desses anos todos com o Retiro. Ele é um típico senhor do interior de Minas, com sotaque carregado, pele queimada e marcada pela exposição ao sol, mãos fortes de quem trabalhou muito na roça, um olhar desconfiado, mas amistoso e anda quase sempre de calça comprida e botina.

Tem sua irmã, Istael, como vizinha, bem ali ao lado, praticamente no mesmo terreno. Peixe é um arquivo vivo de um saber sobre a construção de paisagem e de relações entre humanos, plantas e bichos. Ele conta muitos casos de como era antes e como é hoje a vida na região. Em diversos relatos, relembra como eram maiores e mais produtivas as roças de antigamente, feitas para as pessoas e para os bichos, e diz que hoje falta água e diversidade. Rememora com saudade da criação dos animais (como são chamados os cavalos ali), hoje dificultada por questões econômicas e de estrutura, e também pelas normas do parque. Ele conta que hoje em dia ficou mais difícil a renda e a qualidade de vida, derivadas da sua vendinha de caldo de cana, quando comparada com a época das trocas e das vendas que obtinha das roças e das criações de animais do seu passado.Antes, como agora, o plantio de subsistência, inclui: arroz, feijão, soja, mandioca, milho, café, cana-de-açúcar, macaúba, limão, laranja entre outras espécies, que servem para consumo próprio, troca entre os vizinhos, geração de outros produtos como sabão, óleo e rapadura, além da venda. Com a criação do Parque, algumas mudanças ocorreram no território, mas mesmo com dificuldades, ele nunca deixou a terra.

Segundo ele: “Qualquer lugar que você chegava aqui numa casa você via bando de boi, bezerro, porco, cabrito, cavalo, tirando leite, outros fazendo rapadura, outros fazendo sabão.”

Um cenário oposto à calmaria que se vê hoje dentro do parque. O Peixe conta que vários bichos apareciam mais no passado, mas que com a retomada dos cultivos a partir do acordo de 2018, os bichos estão voltando a aparecer e conviver com as plantações e as famílias do Retiro.