A metodologia do Projeto Cipó foi construída a muitas mãos, em diálogo constante com as famílias da comunidade do Retiro e com os diferentes estudantes e pesquisadores que passaram pelo projeto desde 2013. Desde o início, optamos por uma abordagem de pesquisa-ação vinculada à extensão universitária crítica, que entende a produção de conhecimento como algo que se faz junto — com escuta, presença, afeto e compromisso com as pessoas que vivem o território.
Nos primeiros anos do projeto, a urgência das demandas foi decisiva para moldar os caminhos. Quando chegamos ao Retiro, as famílias haviam acabado de receber uma intimação de desapropriação. A partir dali, começamos a acompanhar e apoiar processos de mobilização social e institucional, sempre em diálogo com os órgãos de gestão ambiental e o Ministério Público Federal. Investigamos, por exemplo, a legalidade de obras feitas no território e contribuímos com pareceres técnicos e denúncias formais. Desde então, o projeto se consolidou como um espaço de defesa de direitos, mas também como um espaço de produção coletiva de memória e reflexão crítica sobre o Parque Nacional da Serra do Cipó.
