Entre as técnicas utilizadas, destacam-se as entrevistas individuais e coletivas, o levantamento genealógico, as oficinas participativas, a análise de documentos institucionais e históricos, a observação participante e a produção de registros audiovisuais. Todo o material é registrado com cuidado, respeitando os tempos e os desejos de quem compartilha sua história. Ao longo do tempo, o projeto também foi se abrindo para diferentes olhares trazidos por estudantes de graduação — teve quem se aproximou da arqueologia, quem investigou os saberes tradicionais, quem se interessou pelo manejo do fogo. Assim, a metodologia foi se adensando, acolhendo perguntas novas e criando espaços para escuta e experimentação.
Embora o projeto tenha circulado por outras localidades do parque, como Cabeça de Boi e Serra dos Alves, foi no Retiro que construímos maior presença, por ser o único local onde ainda havia famílias vivendo dentro da unidade de conservação. Essa proximidade permitiu aprofundar os vínculos e compreender, com mais cuidado, as formas de resistência, os modos de vida e as transformações que o parque provocou na vida das pessoas.
Mais do que uma lista de técnicas, a metodologia do Projeto Cipó é um processo coletivo de escuta e reconhecimento. Um modo de estar junto, de caminhar ao lado, e de afirmar que o território não é só natureza: é também memória, afeto, justiça e pertença. Nada do que construímos teria sido possível sem a generosidade das famílias do Retiro, que seguem nos ensinando que pesquisa também é uma forma de cuidado.
